Exposição “Arpilleras da Resistência Política Chilena”

Projeto contemplado pelo edital “Marcas da Memória” Patrocinado pela  Comissão  da Anistia MJ

A Arpillera é uma técnica têxtil chilena que possui raízes numa antiga tradição popular iniciada por um grupo de bordadeiras de Isla Negra, localizada no litoral central chileno.

"Homem com violão"

Detalhe Arpillera "Homem com violão". Violeta Parra (Extraída do site da Fundação Violeta Parra)

A conhecida folclorista Violeta Parra ajudou a difundir este trabalho artesanal, e expôs uma série de arpilleras no Pavilhão Marsan do Museu de Artes Decorativas do Louvre, em 1964, tendo achado nesta técnica “uma linguagem para poder transmitir histórias, sonhos e conceitos”.   A própria Violeta diz em entrevista “as arpilleras são como cancões que se pintam”.  A diferencia principal entre aquelas arpilleras e as que compõem esta mostra é que estas foram confeccionadas com retalhos e sobras de pano; – o bordado é só um accessório ao trabalho têxtil. Assim como as arpilleras originais que as inspiraram, estas foram montadas em suporte de aniagem, pano rústico proveniente de sacos de farinha ou batatas, geralmente fabricados em cânhamo ou linho grosso. Toda a costura é feita à mão, utilizando agulhas e fios.  Às vezes sao adicionados fios de la à mão e com crochê, para realçar os contornos das figuras. Normalmente o tamanho destas obras era determinado pela dimensão do saco. Uma vez consumido o seu conteúdo, ele rea lavado e cortado em seis partes, possibilitando assim que o mesmo número de mulheres bordasse a sua própria história, a de sua família e de sua comunidade. A tela de fundo se chama arpillera, dando o nome a essa expressão artística popular.

Detalhe "Vida em nossa comunidade". Oficina Recoleta. Chile 1984. Acervo de Jürgem e Marta Schaffer, Alemanha (Fotografia: Colin Peck, Copyright Roberta Bacic)

Como forma de registrar a vida cotidiana das comunidades e de afirmar sua identidade, as oficinas de arpilleras nao somente representaram a expressao dessa realidade como também se transformaram em fonte de sobrevivência em tempos adversos. Muitas arpilleras fazem referencia aos valores consolidados da comunidade e aos problemas políticos e sociais que enfrenta. Tornaram-se uma forma de comunicar ao mundo exterior, no país e fora dele, o que estava acontecendo, e ao mesmo tempo, uma forma de atividade cooperativa e fonte de renda.

Graças as arpilleras muitas mulheres chilenas puderam denunciar e enfrentar a ditadura desde fins de 1973. As arpilleras mostravam o que realmente estava acontecendo nas suas vidas, constituindo expressões de tenacidade e da força com que elas levavam adiante a luta pela verdade e pela justiça.

Roberta Bacic, pesquisadora e curadora de expossiçoes de  Arpilleras

(texto extraído do catálogo da exposiçao “Arpilleras da Resistencia Política Chilena”. Memorial da Resistência de Sao Paulo)

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3 respostas para Exposição “Arpilleras da Resistência Política Chilena”

  1. Mr WordPress disse:

    Hi, this is a comment.
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  2. Anna Mehoudar disse:

    Belissima iniciaiva, parabéns. Anna

  3. Paula Lima disse:

    A história das arpilleiras me comoveu muito…adorei participar da oficina que fez enchergar a vida de uma outra maneira.
    Abraços a tdas(os) que tem proveito desta aula.
    Paula Lima do curso das PLPS de São Bernardo do Campo-SP

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